Inclusão de PCD e Reabilitados nas Licitações Públicas

Artigo sobre Direito

Inclusão de Pessoas com Deficiência e Reabilitados do INSS nas Licitações Públicas: Aspectos Jurídicos

Introdução ao tema

O tema da inclusão de pessoas com deficiência (PCD) e reabilitados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no âmbito das contratações públicas vem ganhando relevância crescida nas discussões jurídicas e administrativas. A exigência de cotas para esses grupos em processos de licitação representa mais do que simples cumprimento normativo: trata-se de uma iniciativa com alto impacto social, voltada à garantia de direitos fundamentais e promoção da cidadania.

Este artigo visa apresentar os principais aspectos legais, doutrinários e práticos relacionados à exigência de reserva de vagas para PCD e reabilitados nas contratações com a Administração Pública. A abordagem será focada nas obrigações impostas pela legislação atual e nas implicações para os entes públicos e os particulares que pretendem contratar com o Estado.

Fundamentos constitucionais e legais da inclusão

A Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu artigo 37, inciso VIII, a obrigação do Estado de assegurar a acessibilidade e a inclusão de pessoas com deficiência no serviço público. Essa disposição constitucional se alinha ao princípio da dignidade da pessoa humana e à promoção da igualdade, previstos nos artigos 1º, inciso III, e 5º, caput, respectivamente.

No plano infraconstitucional, a Lei n.º 8.666/1993 (revogada em partes pela nova Lei de Licitações), já previa mecanismos para promover a inclusão de pessoas com deficiência nos editais de licitação. Posteriormente, a Lei n.º 13.146/2015, conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, reforçou essa obrigação em diversos dispositivos, notadamente o artigo 93 da Lei n.º 8.213/1991, que determina cotas para contratação de reabilitados e pessoas com deficiência nas empresas com mais de 100 empregados.

A nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Lei n.º 14.133/2021) incorporou também esse espírito inclusivo, prevendo entre os critérios de desempate e as exigências contratuais elementos voltados à inclusão social.

A exigência de cotas nos contratos públicos

A exigência de reserva de vagas para PCD e reabilitados do INSS nas contratações públicas se materializa por meio da imposição de cláusulas nos editais de licitação, nas quais se obriga o contratado a cumprir a legislação trabalhista vigente quanto ao percentual mínimo desses profissionais em seu quadro funcional.

O artigo 93 da Lei n.º 8.213/1991 impõe às empresas com mais de 100 empregados a obrigatoriedade de preencher de 2% a 5% de seus cargos com beneficiários reabilitados ou com pessoas com deficiência, conforme o número total de empregados. Essa norma é aplicável a empresas que pretendam contratar com a Administração Pública? A resposta é positiva, conforme entendimento consolidado da jurisprudência e da doutrina.

Além do cumprimento espontâneo da legislação pelas empresas, quando a Administração Pública realiza processo licitatório, é recomendável que insira cláusulas editoriais explícitas exigindo o cumprimento dessa cota. Tal previsão não apenas fortalece a exigibilidade legal, como serve de parâmetro para a avaliação das propostas e do cumprimento das obrigações contratuais.

Responsabilidade da Administração Pública

A Administração Pública, ao contratar com empresas privadas, assume a obrigação não apenas de observar a legalidade, mas de promover direitos fundamentais. Nesse sentido, assegurar que as empresas contratadas estejam em conformidade com a legislação trabalhista envolvendo inclusão de PCDs e reabilitados é parte integrante do dever estatal de proteger minorias e grupos vulneráveis.

O eventual descumprimento dessa obrigação pode resultar em responsabilização do agente público por omissão e pode sujeitar a empresa contratada a penalidades civis e administrativas, incluindo multas, impedimento de licitar com órgãos públicos e até rescisão contratual, conforme previsto na legislação de regência.

Critérios de avaliação e fiscalização contratual

Para que essa exigência não se torne letra morta, é fundamental que os gestores públicos e fiscais de contrato adotem critérios administrativos claros para monitorar o cumprimento das cotas de inclusão. Dentre as medidas recomendáveis, destacam-se:

– Inserção de cláusula contratual prevendo expressamente a obrigatoriedade de comprovar o percentual de contratação de PCD e reabilitados do INSS;
– Análise periódica, durante a execução do contrato, das folhas de pagamento e registros funcionais dos empregados da contratada;
– Previsão de sanções específicas no contrato e no edital para o caso de descumprimento da regra de inclusão;
– Adoção de indicadores de desempenho relacionados à manutenção e inclusão de pessoas com deficiência no âmbito da execução do contrato.

Implicações práticas para os licitantes

Empresas que pretendem contratar com a Administração Pública devem estar atentas à legislação de inclusão e aos aspectos contratuais exigidos nos editais de licitação. Não basta apresentar uma proposta de preço compatível: é necessário demonstrar capacidade de cumprimento legal, especialmente no que diz respeito às políticas de inclusão social.

A existência de critérios de inclusão pode, inclusive, ser considerada como fator de desempate entre propostas, como permite a Lei n.º 14.133/2021, no intuito de fomentar práticas empresariais que promovam responsabilidade social. Assim, empresas que adotem práticas robustas de inclusão podem se beneficiar perante o mercado público.

Desdobramentos jurisprudenciais

Os tribunais brasileiros têm consolidado o entendimento de que a inclusão de cláusulas de reserva de vagas para PCD e reabilitados do INSS nos editais de licitação não apenas é legítima, como é exigível. Jurisprudência do Tribunal de Contas da União (TCU) reconhece o dever dos órgãos públicos em fiscalizar o cumprimento da cota legal, estabelecendo recomendações para que essa verificação ocorra tanto no momento da habilitação quanto durante toda a execução contratual.

A omissão da Administração nesse ponto tem sido considerada descumprimento do dever legal de zelar pela execução eficiente e conforme a lei dos contratos administrativos.

Conformidade e ESG nas contratações públicas

A inclusão social no setor público não pode mais ser vista apenas como uma obrigação legal, mas como parte estratégica de responsabilidade social e alinhamento aos princípios de Environmental, Social and Governance (ESG). A adoção de cláusulas de inclusão nos contratos públicos caminha lado a lado com uma gestão pública mais transparente, ética e comprometida com os direitos humanos.

Do ponto de vista das empresas, a conformidade com essas exigências aumenta sua reputação institucional e favorece a atração de investimentos e clientes que valorizam práticas empresariais socialmente responsáveis.

Conclusão

A exigência de reserva de contratação de pessoas com deficiência e reabilitados do INSS em processos licitatórios revela um avanço na aplicação concreta dos direitos fundamentais nas atividades administrativas. Trata-se de uma iniciativa que alia legalidade, eficiência administrativa e responsabilidade social.

A atuação responsável da Administração Pública e dos licitantes na observância e aplicação dessa exigência representa um passo fundamental na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Aos operadores do Direito e aos gestores públicos, cabe o papel de promover, por meio das licitações, não apenas a seleção das melhores propostas, mas a consolidação de práticas que traduzam em atos o princípio da dignidade da pessoa humana.

Insights finais

1. A exigência de cotas para PCD e reabilitados do INSS nas licitações está amparada pela Constituição e pela legislação infraconstitucional.
2. A fiscalização do cumprimento dessa exigência deve ocorrer em todas as fases do contrato administrativo.
3. Cláusulas claras nos editais são essenciais para garantir a efetividade da inclusão.
4. Empresas que adotam políticas inclusivas estão mais alinhadas com práticas de governança e responsabilidade social.
5. A jurisprudência tem confirmado a legalidade e a obrigatoriedade dessas exigências nas contratações públicas.

Perguntas e respostas frequentes

1. Todas as empresas precisam cumprir a cota de PCD e reabilitados para contratar com o poder público?

Não. A obrigação legal ocorre apenas para empresas com mais de 100 empregados. Contudo, a Administração pode exigir essa comprovação nos editais, como critério contratual.

2. A exigência de contratação de PCD pode ser usada como critério de desempate em licitações?

Sim. A legislação permite a adoção de critérios sociais como elementos de desempate nas licitações públicas, incluindo práticas de inclusão.

3. Quais documentos podem comprovar a contratação de pessoas com deficiência nos contratos públicos?

Folhas de pagamento, contratos de trabalho, laudos médicos, laudos de reabilitação profissional do INSS e vínculos trabalhistas registrados em sistemas oficiais podem ser utilizados como prova.

4. O que acontece se a empresa contratada não cumprir a cota durante a execução do contrato?

O descumprimento pode acarretar advertência, multa, rescisão contratual ou impedimento de licitar com a Administração, conforme previsto no contrato e na lei.

5. A Administração Pública pode ser responsabilizada por não fiscalizar a inclusão de PCD nos contratos?

Sim. A omissão do poder público na fiscalização de cláusulas contratuais que envolvem direitos sociais pode configurar responsabilização dos gestores por dano ao

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Acesse a lei relacionada em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm

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Este artigo foi escrito utilizando inteligência artificial a partir de uma fonte e teve a curadoria de Fábio Vieira Figueiredo. Advogado e executivo com 20 anos de experiência em Direito, Educação e Negócios. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP, possui especializações em gestão de projetos, marketing, contratos e empreendedorismo. CEO da IURE DIGITAL, cofundador da Escola de Direito da Galícia Educação e ocupou cargos estratégicos como Presidente do Conselho de Administração da Galícia e Conselheiro na Legale Educacional S.A.. Atuou em grandes organizações como Damásio Educacional S.A., Saraiva, Rede Luiz Flávio Gomes, Cogna e Ânima Educação S.A., onde foi cofundador e CEO da EBRADI, Diretor Executivo da HSM University e Diretor de Crescimento das escolas digitais e pós-graduação. Professor universitário e autor de mais de 100 obras jurídicas, é referência em Direito, Gestão e Empreendedorismo, conectando expertise jurídica à visão estratégica para liderar negócios inovadores e sustentáveis.

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